Atraso nas Fotos

Sei que muitos estão a reclamar da falta de atualização no Fotoligor.

Pedimos perdão pela ausência visual de nossa empreitada. Desde que saímos de Potosi as conexões com a internet passaram a ser mais caras e com a banda mais restrita. Sempre me olham com cara feia quando vou espetar alguma coisa na USB dos computadores. Como uso a suite de programas do Portableapps para me precaver, a confusão fica dobrada e o meu portunhol não ajuda nas oras de aperto, quase sempre tenho que me malocar atrás do computador para encontrar uma conexão livre.

 A democratização da informática aqui é um assunto a parte. É incrível como funciona:

– Cada cidade, nos altiplanos ou nas planícies, por menor que seja, possui uma (ou mais!)  lojinhas de acesso a internet (como cibercafés mas que só disponibilizam o acesso digital) cobram preços equiparadamente baratos (chegamos a conectar por 2 Bolivianos a hora – detalhe, R$1,00 = 3.60 bs). E a galera toda fica conectada, muitos acessam e-mails e sítios de noticias diversos, outros ajudam as Cholas a bater papo pelo MSN Mensager, etc…

O problema é que nossa jornada mochileira acaba de se deparar com locais mais turísticos demais, onde os quiosques de acesso são direcionados para os grigos, nós. Conclusão: estamos desembolsando absurdos 12 bs por uma hora de conexão.

Por isso posso dizer que este é o post mais caro de “mi vida”.

Hoje e amanha nos desplugaemos por um tempo. Acamparemos na Isla del Sol e, em seguida, correremos (ooops, isto tem um significado meio pejorativo em espanhol) para Puno e iniciaremos a investida Peruana. Pena, estávamos acostumados coma vida aqui e sentiremos muita falta.

O Titicaca é um marzão, é difícil acreditar que seja de água doce (cristalina). Não existem mais barcos de Copacabana (é, a original) até Puno – iremos numa frustrante viajem de ônibus. Lá passaremos uma noite, provavelmente, e pegaremos o Trem até Cuzco.

 Do último Post até aqui o roteiro foi o seguinte:

Curtimos o deserto de Sal e o Elmo mostrou novas habilidades “dançarínicas” – o Moonwalking que ficou conhecido aqui como Saltwalking. Pegamos mais um trem – 7 horas – muito mais limpo do que o Trem da Morte – até Oruro. Em Oruro – cidade que não possui muitos atrativos além de seu carnaval – corremos até o terminal rodoviário em um taxi, que custou apenas 8bs, e pegamos o primeiro ônibus até La Paz. Em La Paz, e isso não contei a te agora, Reiko-sensei nos incumbiu de uma missão: entregar uns omiage para a Consulesa do Japão – nem preciso dizer que quase causamos um incidente diplomático com nosso precário Nihongo. Mas, fora isso, fomos muito bem recebidos e acabou que conhecemos a Cidade inteira graças ao seu marido – um simpático médico boliviano. Ele nos deixou na boa, num ponto de vans para Copacabana que cobravam apenas 17 bs pela viagem. Chegamos aqui anteontem depois de navegar por um estreito, de balsa. Emfim, atravessamos metade da Bolívia em menos de 24 horas. Vai ser mochileiro amador assim na China! Estávamos mortos e por isso estamos curtindo tudo com muita calma (e gastos) agora, por aqui.

Cemiterio, por do sol e outros parangoles

Acabamos de voltar de uma das coisas mais funestas que pode acontecer com o seu Ferrorama da Estrela. O cemitério de Trens de Uyuni eh mo barato. Ele se encontra ao final da cidade. Final uma ova, ele esta há alguns quilômetros daqui, seguindo pela linha férrea ate uma bifurcacao na boca do deserto.

Medonho e emocionante, a historia férrea da Bolívia eh contada linearmente e cronologicamente la. Começamos vendo vagões que ate pouco (sendo gentil, já devem estar la há décadas) transportavam cholas para cima e para baixo dos Andes. Depois vemos vagões tanque que fizeram de tudo para escoar as reservas naturais deste pais. Contamos piada N (simpática maneira para definir o Robby no. 1 daqui – Ah! quem da turma não gosta de uma piadinha Nerd) em cima de vagões que mais pareciam caixões fúnebres e, ao final, coincidimos, com um derradeiro por-de-sol, as mães – locomotivas a vapor dispostas e despojadas de suas partes mais valiosas (recicláveis) ate a ultima, uma imponente matrona de aço que de tao depenada só lhe sobrava o esqueleto e sua crepusculal sombra. Quarteirões e mais quarteirões que fariam o Simões pular feito pinto no lixo.
Volta noturna a nosso Alojamento num frio de lascar, amanha vamos ao Salar (a tal fantástica lagoa de sal que comentei no ultimo post)

Sobre as trivialidades do dia: as brotoejas ainda não sumiram de minha canhota perna – mas pararam de cocar – o desjejum foi num barzinho debaixo do coreto da praça principal da cidade – e vocês sabem como eu gosto de coreto, acho um absurdo não construírem mais por ai – onde conhecemos uns Bascos (pode escrever assim?), gente fina, bem politizados – para variar, o tema abordado foi a gestão do Lula como presidente – Nossa, como comentam isso por aqui! Não os bolivianos, os estrangeiros (uns dez já mandaram a mesma pergunta, franceses, catalães…)

Bom já nos habituamos com a dieta daqui, nada como comer no mercadinho central – eh batata, toda cidade tem um. Sabem, a comida boliviana (dos altiplanos) não e tao ruim como picham, só tem de ter o mesmo instinto que temos quando vamos comer … sei la, ai no centro da Cidade.

Sabrina esta matando – melhor, chacinando – as saudades com os pais agora e o Elmo desapareceu no meio da noite (espero que ele não esteja criando uma sociedade paralela – nesses tempos de parca IFS sentimo-nos sós).

Ah! A cachorrada daqui, já ia me esquecendo de escrever sobre eles. No Uyuni existe uma organizacao, sei la, que beira a idolatria a essa bicharada. Acho que ninguém tem bicho de estimacao aqui – todos são vira-latas, soltos ao léo. Por exemplo, tem um poodle mais encardido que meu casaco dormindo debaixo do computador que estou a escrever, num dos estabelecimentos mais tecnolux das redondezas. Eles tem passe livre em qualquer lugar, muito louco o lance. Cada um porta um lacinho ao redor do pescoço, como já tive a chace de ir ate o extremo da cidade a pé, deu para notar que cada grupo de quarteirões tem seus caninos com laços de cores diferentes. Como gangues, que não se misturam. Parece que o Estado conseguiu se meter na selecao natural – na definicao de habitat de cada especie de bicho por aqui. Ao comentar sobre a não-existencia de felinos, eis que o Elmo leva um susto ao ver um sinistro (e único) gato no quarteirão – la cachorro algum metia o focinho. Predador?
Agora chega, meu nariz rachou com o frio e ta incomodando pra chuchu.

Ate amanha…
P.S.: Ainda sem entender como fazer os acentos e cedilhas funcionarem neste parangolé sem a ajuda do corretor do Gmail.

Demora nas postagens

Pois é, turminha.

Sei que estão a reclamar de nossa omissão neste Blog. Muita coisa para ver, muito chão a percorrer e pouco tempo para dormir.

Gente, este parangolé é lindo demais! Me faltam (literalmente) teclas para descrever! :oP

Enquanto isso, o que independe da configuracao do teclado, podem curtir umas fotinhas (uma batelada de novas) no nosso fotolog:

http://www.flickr.com/photos/igorprata