Cemiterio, por do sol e outros parangoles

Acabamos de voltar de uma das coisas mais funestas que pode acontecer com o seu Ferrorama da Estrela. O cemitério de Trens de Uyuni eh mo barato. Ele se encontra ao final da cidade. Final uma ova, ele esta há alguns quilômetros daqui, seguindo pela linha férrea ate uma bifurcacao na boca do deserto.

Medonho e emocionante, a historia férrea da Bolívia eh contada linearmente e cronologicamente la. Começamos vendo vagões que ate pouco (sendo gentil, já devem estar la há décadas) transportavam cholas para cima e para baixo dos Andes. Depois vemos vagões tanque que fizeram de tudo para escoar as reservas naturais deste pais. Contamos piada N (simpática maneira para definir o Robby no. 1 daqui – Ah! quem da turma não gosta de uma piadinha Nerd) em cima de vagões que mais pareciam caixões fúnebres e, ao final, coincidimos, com um derradeiro por-de-sol, as mães – locomotivas a vapor dispostas e despojadas de suas partes mais valiosas (recicláveis) ate a ultima, uma imponente matrona de aço que de tao depenada só lhe sobrava o esqueleto e sua crepusculal sombra. Quarteirões e mais quarteirões que fariam o Simões pular feito pinto no lixo.
Volta noturna a nosso Alojamento num frio de lascar, amanha vamos ao Salar (a tal fantástica lagoa de sal que comentei no ultimo post)

Sobre as trivialidades do dia: as brotoejas ainda não sumiram de minha canhota perna – mas pararam de cocar – o desjejum foi num barzinho debaixo do coreto da praça principal da cidade – e vocês sabem como eu gosto de coreto, acho um absurdo não construírem mais por ai – onde conhecemos uns Bascos (pode escrever assim?), gente fina, bem politizados – para variar, o tema abordado foi a gestão do Lula como presidente – Nossa, como comentam isso por aqui! Não os bolivianos, os estrangeiros (uns dez já mandaram a mesma pergunta, franceses, catalães…)

Bom já nos habituamos com a dieta daqui, nada como comer no mercadinho central – eh batata, toda cidade tem um. Sabem, a comida boliviana (dos altiplanos) não e tao ruim como picham, só tem de ter o mesmo instinto que temos quando vamos comer … sei la, ai no centro da Cidade.

Sabrina esta matando – melhor, chacinando – as saudades com os pais agora e o Elmo desapareceu no meio da noite (espero que ele não esteja criando uma sociedade paralela – nesses tempos de parca IFS sentimo-nos sós).

Ah! A cachorrada daqui, já ia me esquecendo de escrever sobre eles. No Uyuni existe uma organizacao, sei la, que beira a idolatria a essa bicharada. Acho que ninguém tem bicho de estimacao aqui – todos são vira-latas, soltos ao léo. Por exemplo, tem um poodle mais encardido que meu casaco dormindo debaixo do computador que estou a escrever, num dos estabelecimentos mais tecnolux das redondezas. Eles tem passe livre em qualquer lugar, muito louco o lance. Cada um porta um lacinho ao redor do pescoço, como já tive a chace de ir ate o extremo da cidade a pé, deu para notar que cada grupo de quarteirões tem seus caninos com laços de cores diferentes. Como gangues, que não se misturam. Parece que o Estado conseguiu se meter na selecao natural – na definicao de habitat de cada especie de bicho por aqui. Ao comentar sobre a não-existencia de felinos, eis que o Elmo leva um susto ao ver um sinistro (e único) gato no quarteirão – la cachorro algum metia o focinho. Predador?
Agora chega, meu nariz rachou com o frio e ta incomodando pra chuchu.

Ate amanha…
P.S.: Ainda sem entender como fazer os acentos e cedilhas funcionarem neste parangolé sem a ajuda do corretor do Gmail.

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Publicado por

Igor Prata

Analista de Segurança, formado pela UERJ. Entusiasta de Software Livre, fontes de energia alternativas, computação distribuída e tecnologias para acessibilidade. Diretor de Kyudo na Federação Brasileira.

2 comentários em “Cemiterio, por do sol e outros parangoles”

  1. Uia, que belezura! Deve ser mto bacana esse cemitério férreo.
    hahhahahaha Gostei das gangues caninas!
    Curtam bastante!
    Abraços

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